Os Potenciais Impactos à Saúde Humana do “Projeto Natureza” da CMPC Celulose Riograndense
Preocupações com a saúde da população gaúcha
Somos profissionais da medicina e, há alguns anos, estudamos os diferentes impactos das mudanças climáticas e da poluição ambiental nos ecossistemas na saúde humana e do planeta.
Causa preocupação o novo mega empreendimento de celulose da empresa chilena CMPC em Barra do Ribeiro (RS), próximo à capital gaúcha, Porto Alegre, cujo Estudo de Impacto Ambiental para não leva em consideração inúmeros aspectos graves inclusive à saúde humana, os quais estão relacionados, dentre outros, à liberação de toxinas no ar e na água do Guaíba, de onde provém a água para a população beber.

A produção de celulose pode impactar a saúde humana por múltiplas vias, incluindo a emissão e o descarte de contaminantes sólidos, líquidos e gasosos e, de forma indireta, por efeitos relacionados ao estresse e à cadeia alimentar.
Esses mecanismos podem aumentar a demanda por serviços de saúde pública e privada na região, em decorrência da exposição das comunidades aos poluentes ambientais e dos riscos ocupacionais associados ao empreendimento.

Análises Técnicas entregues à FEPAM e disponíveis para a sociedade
No dia 14 de Fevereiro de 2026, juntamente com mais 10 documentos técnicos (11 no total) produzidos por outros órgãos, entregamos à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM) uma análise que avalia os potenciais riscos à saúde advindos da instalação e atividade do projeto da pretensa fábrica de celulose.
Consideramos que há falhas metodológicas e omissões no EIA-RIMA apresentado para licenciamento do Projeto Natureza da CMPC Celulose Riograndense. As críticas não são apenas sobre os impactos ambientais físicos, mas também sobre a insuficiência dos estudos apresentados pela empresa para mitigar riscos sociais e biológicos.
Em resumo, as críticas podem ser categorizadas nos seguintes eixos principais:
• Impactos sobre Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais: a dimensão antropológica e o impacto sobre o modo de vida dessas populações não foram devidamente dimensionados.
• Qualidade da Água e Efluentes: temos questionamentos sobre a avaliação de efluentes líquidos e como esses impactos foram projetados no EIA-RIMA da CMPC.
• Biodiversidade e Fauna: temos questionamentos específicos sobre a fauna vertebrada, sugerindo que o projeto pode ameaçar a fauna local.
• Impacto no bioma Pampa: o projeto afeta diretamente o Pampa, um bioma com vegetação campestre singular e alta biodiversidade, muitas vezes subestimada em grandes empreendimentos.
• Riscos à Saúde Humana: não há avaliação do impacto à saúde das populações vizinhas, tanto pela poluição do ar quanto da água.

Abaixo estão um resumo das omissões ou falhas graves no Rima da CMPC e as análises técnicas na íntegra do Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Medicina em Alerta.
Pontos de omissões ou falhas graves no Rima da CMPC (final)
Justificativa para incluir Análise de Impacto à Saúde Humana
ILEA-UFRGS_Análise Crítica_do_EIA-RIMA_do_Projeto_Natureza_2026
Audiências Públicas já!
Solicitamos à FEPAM, como licenciador ambiental, que considere estas análises técnicas adicionais e chame novas Audiências Públicas a fim de assegurar transparência para a população em relação a todos os aspectos que estão envolvidos na instalação deste empreendimento.
Assine o abaixo-assinado!
Assine agora por novas Audiências Públicas sobre licenciamento da nova- indústria de celulose da CMPC!

Mais informes
Pedido de veto à PL da Devastação – Argumentos médicos
Caso o PL 2159/21 seja aprovado, haverá um aumento da morbimortalidade da população brasileira, especialmente entre os mais vulneráveis, com consequente risco de colapso do sistema de saúde.
SBPT emite Nota Técnica sobre os efeitos da exposição a fumaça de queimadas na saúde da população
Nota da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia fornece orientações básicas para minimizar o impacto da fumaça das queimadas florestais na saúde da população.
SBMFC declara Emergência de Saúde Climática, Humana e Planetária
Nota da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade e da Organização Mundial dos Médicos de Família alerta para o estado de emergência climática mundial e a calamidade enfrentada pelo Brasil.
Solicite uma AIS independente para o projeto da Mina Guaíba
Seis sociedades médicas e duas sociedades da saúde gaúchas emitiram pareceres técnicos solicitando uma Avaliação de Impacto à Saúde (AIS) independente e de acordo com critérios da OMS (Organização Mundial da Saúde) para o projeto de exploração de carvão mineral da Mina Guaíba-RS (consulte aqui o dossiê) . A AMRIGS (Associação Médica do Rio Grande do Sul) também já se posicionou (leia aqui) sobre os riscos que o projeto da Mina Guaíba pode oferecer à saúde. Junte-se a elas e assine o pedido pela AIS.


